Brasília (DF) – O mês de maio ganhou, nos últimos anos, um significado ainda mais urgente no Brasil. Conhecido como Maio Laranja, o período é dedicado à conscientização e ao enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, uma realidade alarmante e, muitas vezes, silenciosa.
A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e atual secretária-geral do Mulheres Republicanas Nacional, Cristiane Britto, alerta para a gravidade do cenário. Segundo ela, o país registra mais de 80 mil casos anuais de violência contra esse público. “Esse número representa apenas a ‘ponta do iceberg’, já que a maioria dos casos sequer chega a ser denunciada”, destacou.
A republicana também chama atenção para um dado ainda mais preocupante: “a maioria das crianças abusadas no Brasil não sofre nas ruas, sofre dentro de casa e, muitas vezes, em silêncio”. O dado evidencia um dos principais desafios no enfrentamento desse tipo de crime: o agressor, frequentemente, é alguém próximo, uma pessoa de confiança da vítima.
Campanha nacional
O Maio Laranja foi instituído como política pública a partir de iniciativa de Cristiane Britto e da senadora Damares Alves, quando ambas estiveram à frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
A proposta é transformar o mês de maio em um grande movimento nacional de proteção à infância, envolvendo não apenas o poder público, mas toda a sociedade. “Essa luta não pode ser só do governo, é responsabilidade de todos nós”, completa Cristiane Britto.
Mobilização
A mobilização reforça que qualquer cidadão pode contribuir ativamente. Entre as principais ações estão o diálogo aberto sobre o tema, a disseminação de informações, a promoção de debates em escolas, empresas e instituições religiosas, além do incentivo à denúncia.
Damares Alves, que também é secretária de honra do Mulheres Republicanas, reforça o caráter urgente e coletivo da mobilização. “O Maio Laranja não é apenas uma cor no calendário. É um grito de socorro das nossas crianças. Como eu sempre digo, a infância é sagrada e nós não vamos tolerar que toquem nos nossos pequenos. Precisamos quebrar o silêncio de uma vez por todas”.
A parlamentar também alerta para o perfil dos agressores e a importância da vigilância social. “Se você suspeita de qualquer abuso ou exploração sexual infantil, denuncie. O predador, muitas vezes, está perto e disfarçado. O Disque 100 funciona, é anônimo e salva vidas”, diz.
Além disso, Damares Alves convoca a sociedade para uma atuação prática e descentralizada. “Mude a cor do seu perfil para laranja, imprima materiais, distribua na sua cidade. Vereadores, realizem audiências públicas. Igrejas, escolas e comércios, todos podem se envolver. Precisamos movimentar o Brasil”, acrescenta.
A senadora também destaca a necessidade de informação como instrumento de proteção: “Precisamos armar as famílias com informação. Você sabe identificar sinais de mudança de comportamento nas crianças? Esse conhecimento pode salvar vidas”.
Denúncia
Um dos pilares do Maio Laranja é o incentivo à denúncia. Casos suspeitos podem ser comunicados de forma anônima e gratuita pelo Disque 100. Em situações de emergência, a orientação é acionar a polícia, pelo 190.
“Mais do que uma campanha institucional, o Maio Laranja se consolida como um chamado à responsabilidade coletiva. O enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes exige vigilância permanente, informação qualificada e, sobretudo, coragem para agir”, diz Cristiane Britto.
Por Ascom – Mulheres Republicanas Nacional






