Reconhecida pelo céu de nuvens brancas e pelos traços de Niemeyer, Brasília também tem se consolidado como capital dos grandes eventos esportivos. Desde 2019, a cidade foi palco de competições acirradas em diversas modalidades, do mundial de saltos ornamentais no Lago Paranoá às disputas que lotaram as arquibancadas da Arena BRB Mané Garrincha e da Arena BRB Nilson Nelson. O calendário robusto é fruto de investimentos do Governo do Distrito Federal (GDF) em infraestrutura esportiva e no fortalecimento de políticas públicas voltadas tanto ao alto rendimento quanto à inclusão social por meio do esporte.
Mais de 80 eventos foram organizados com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF) no ano passado. Milhares de pessoas acompanharam etapas do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, o STU National Brasília – Super Final Street, o Troféu Brasil de Ginástica Artística, entre outros torneios.
“Brasília se tornou não apenas a capital administrativa do país, mas também a capital do esporte. Temos realizado eventos de grande porte e com organização reconhecida nacionalmente. A última edição da Corrida de Reis, por exemplo, foi a maior da história, demonstrando a força do esporte no Distrito Federal”, afirma o secretário de Esporte e Lazer, Renato Junqueira (Republicanos-DF).
No final de janeiro, a Corrida de Reis registrou sua maior edição, com cerca de 30 mil pessoas participando direta ou indiretamente do evento, entre corredores e público. Em fevereiro, outro marco: mais de 71 mil torcedores prestigiaram o jogo entre Flamengo e Corinthians, pela Supercopa do Brasil, em clima de festa e sem registro de ocorrências graves. Já no ano passado, o destaque foi para os Jogos da Juventude 2025, que reuniram cerca de 5 mil jovens atletas, recorde histórico do evento.
Este ano também promete ser memorável. Brasília foi escolhida para sediar o Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes da World Athletics em 2026 — a primeira vez que o torneio será realizado no Hemisfério Sul. O evento está previsto para abril, na Esplanada dos Ministérios.
“Receber o Mundial de Marcha Atlética e nos prepararmos para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 reforça a confiança das entidades internacionais na capacidade de Brasília. Estamos estruturando a cidade para que cada grande evento deixe legado permanente, seja em infraestrutura, geração de oportunidades ou incentivo à prática esportiva”, ressalta o secretário.
Teremos mais competições ao longo do ano e nos preparamos para a Copa do Mundo Feminina da FIFA, em que Brasília é uma das oito cidades-sede”, ressalta o secretário. O torneio mundial de futebol será entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, no Mané Garrincha.
Formação, inclusão e alto rendimento
Para sustentar e impulsionar o crescimento do setor esportivo, o GDF investe em infraestrutura e inclusão social. Somente no ano passado, foram aplicados cerca de R$ 22 milhões em obras, reformas e manutenções. Entre as principais intervenções estão a retomada da iluminação do Estádio Abadião, em Ceilândia, após quase duas décadas sem jogos noturnos, e a reforma do Estádio Augustinho Lima, em Sobradinho, com investimento superior a R$ 4,4 milhões. O equipamento é usado, inclusive, para treinos do atleta Caio Bonfim e receberá reparos no gramado e na pista de atletismo.
Os esforços também contemplam os 12 Centros Olímpicos e Paralímpicos do DF, que atendem a mais de 45 mil alunos de 4 a 90 anos em diversas modalidades, como futsal, natação, atletismo e artes marciais. Uma nova unidade está sendo construída no Paranoá com capacidade para atender a 5 mil pessoas.
No alto rendimento, programas como o Compete Brasília e o Bolsa Atleta têm sido fundamentais para ampliar a presença de atletas brasilienses em competições nacionais e internacionais. Em 2025, o Compete beneficiou 5.255 atletas e paratletas, com investimento de R$ 9,1 milhões. Já o Bolsa Atleta atende atualmente 132 atletas olímpicos e 115 paralímpicos, com valores reajustados para garantir melhores condições de preparação. Além disso, em dezembro de 2025, o governo criou o Programa de Apoio ao Futebol do Distrito Federal, para desenvolver os clubes da cidade.
O estádio Bezerrão, no Gama, passou pela maior reforma desde 2008, com reparos estruturais, recuperação das arquibancadas e do gramado, além da modernização da rede elétrica e do sistema de combate a incêndios. O investimento foi de mais de R$ 3,9 milhões. Outros espaços que receberam serviços de manutenção são o Joaquim Domingos Roriz (Rorizão), em Samambaia, e o JK, no Paranoá. Os três estádios, incluindo também o Augustinho Lima, poderão ser utilizados como centros de treinamento pelas seleções da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™.
Do tatame ao impacto social
Um exemplo de como o investimento no alto rendimento reverbera na comunidade é a trajetória da atleta e presidente da Associação Kron de Lutas, Selma Bernardes. Professora da rede pública por três décadas, Selma iniciou no jiu-jitsu após os 40 anos, buscando aliviar a pressão do ambiente escolar. A prática, no entanto, rapidamente se transformou em propósito. “Encontrei no jiu-jitsu muito mais que um esporte. Ele me deu objetivo, disciplina e ferramentas para lidar com a pressão”, conta.
Em pouco tempo de tatame, Selma passou a competir em alto nível, sem colocar a idade como empecilho. Graças ao Compete Brasília, pôde participar de campeonatos nacionais e internacionais, conquistando títulos mundiais de 2022 a 2025 — duas vezes ouro e duas vezes prata, além de títulos europeus em 2025 e 2026. “Quando a gente começa a competir fora de Brasília, rompe uma bolha. Você passa a ter novos parâmetros, entende o que precisa melhorar e evolui muito mais rápido. Cada campeonato é um aprendizado que volta para a comunidade”, afirma.
A vontade de contribuir com o crescimento de outros atletas e incentivar crianças e adolescentes fez surgir a Associação Kron de Lutas, localizada na Praça do Bicalho, em Taguatinga. “Quando você abraça um atleta, você impacta toda a comunidade que está ao redor dele. O Compete não investe só em mim, investe em tudo que eu devolvo para a minha comunidade”, afirma. “Brasília está dando estrutura para que os atletas sonhem. E quando a gente planta no esporte, a gente colhe transformação social.”
A experiência de Selma inspira atletas mais jovens, como Bianca Alves, que começou no jiu-jítsu aos 14 anos e hoje compete em nível nacional. Beneficiada pelo Compete Brasília desde 2022, ela afirma que o programa foi decisivo para alcançar novos patamares na carreira. “Para você subir no ranking, não basta competir no seu estado. O Compete me permitiu lutar em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e outros centros fortes do jiu-jitsu”, explica. Graças a esse apoio, Bianca alcançou o primeiro lugar no ranking nacional da sua categoria entre 2023 e 2024.
Bianca também destaca o papel do programa na valorização dos atletas brasilienses. “Muita gente não vê Brasília como um estado forte no jiu-jítsu. Quando a gente vai para fora e traz resultados, mostra que aqui tem talento e que o DF é um dos lugares que mais investem nos atletas”, conclui.
Por Ascom – Secretaria de Esporte e Lazer do DF






